... Silêncio. Luzes. Reflexos. Parece que estou flutuando. As coisas acontecem em câmera lenta. Eu estou na água. Afundando. Tento respirar, como se não soubesse o que aconteceria. A água salgada invade minhas narinas, minha boca. Eu engasgo e começo a tossir quando a água salgada atinge a epiglote. De repente o mundo se enche de ruídos ensurdecedores, tudo volta a se mexer como se quisesse recuperar o tempo perdido. A velocidade, os barulhos, as luzes tudo é atordoante e desnorteante. Debato-me em busca da superfície, braços e pernas se mexendo freneticamente, tentando impulsionar o corpo para cima. Meus movimentos ficam rijos as pontas dos meus dedos se contraem, parece que irei parar a qualquer momento... Eu sorvo a maior quantia de ar que consigo, assim que minha cabeça emerge da água. Neste exato momento de alivio uma onda quebra e me joga novamente para o fundo, sem poder aliviar a falta de ar, tenho que me debater novamente para atingir a superfície e esperar que eu não esteja em alto mar. Várias ondas me jogam para frente e para o fundo toda vez que tento respirar, já não sei há quanto tempo estou nadando, todos os músculos de meu corpo doem lancinantemente. Posso sentir meu coração batendo em cada parte do meu corpo com uma força ensurdecedora que me aliena de tudo ao meu redor, a única coisa importante é conseguir respirar, conseguir pisar em terra firma, parar de bater braços e pernas e ter certeza que não serei tragado por mais uma onda gigante como se eu fizesse parte dela. A medida que meu coração se cala posso perceber as coisas a meu redor, de como luto futilmente , de uma praia a distância, do infinito azul do céu e do mar, de como o meu esforço, de como eu sou insignificante. O ritmo das pernadas e braçadas diminuem, como se meu corpo quisesse me mostrar a verdade da situação, eu morrerei. Vejo a praia novamente. Uma tentativa derradeira, o último esforço, o meu provável réquiem. Aumento a força e a velocidade do nado, meus músculos reclamam do esforço anormal. As únicas coisas existentes são minhas pernas e braços. Não sei a distância da praia, não sei onde estou, não sei que direção estou indo. Só vou. As malditas ondas começam a quebrar com toda força nas minhas costas, a diferença, que agora me jogam contra a areia que esfola minha pele. Toda vez que me levanto uma onda tira meu equilíbrio e novamente me esfrega na areia, mais esforço para conseguir levantar todas as vezes que caio, mais esforço para andar na água com roupas encharcadas. Meu corpo grita de dor, e cansaço. A quantidade exorbitante de ácido lático e adrenalina me deixam completamente alucinado. Só sei que quero sair da água poder ter certeza que não precisarei mais nadar. Que poderei descansar e respirar. Meus joelhos cedem, caio de bruços, vomito e desmaio.
Abro os olhos e me levanto desesperado. Preocupado que ainda esteja me afogando. A claridade me deixa cego por alguns instantes, enquanto as coisas entram em foco, ouço a barulho do mar, e de pássaros, sinto o vento salgado, a areia, o sol e o gosto acre, ácido e salgado deixado na boca pelo vômito e pela água. A praia se mistura com o mar e com o céu no horizonte de ambos os lados. A solidão dessa vista é tão pesada quantos as pedras que formam o íngreme paredão atrás de mim....
sexta-feira, 20 de março de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Nada
Não importa muito o lugar, nem como você chegou lá, muito menos por que está nele. Simplesmente está lá, a festa acontece dentro da casa, enquanto você está sentado do lado de fora olhando para o céu, para a rua, para o mendigo mexendo nas latas de lixo, para arvores, para o nada. Se alguém lhe perguntar o que olha, você responderá assustado “O que?” Se essa pessoa existir ela te tirou de um longo período de ausência para responder uma pergunta imbecil como “o que você olha?” Claro que você não conseguirá responder, porque olhava tudo, mas não via nada e sequer tinha consciência disso. Em algum momento um alguém aparecerá e te chamará atenção por que faz exatamente as mesmas coisas que você, foge da confusão da festa, veio com a desculpa de “pegar um ar”, olha em volta com um olhar mais perdido que o teu, obviamente, não te vê, senta em um lugar qualquer e olha para o nada. Você não quer atrapalha-la com uma pergunta imbecil. Permanece olhando-a, em pouco tempo para de olhá-la para admirá-la, seu cabelo, seu corpo, o perfil de seu rosto, como a roupa que usa lhe cai bem, sua postura. Toda tua atenção se concentra nela, admirá-la, ouvir o silêncio que a envolve, sentir o cheiro de seu perfume. Essa pessoa não era mais um alguém qualquer, sem importância e inexistente, como a maioria das pessoas que vieram até aqui, ou que passaram na rua, ou que passaram por tua vida. No momento ela é a única coisa que existe para você. Você levanta-se, faz, propositalmente, um pouco de barulho para não assustá-la e senta-se ao lado dela. Não diz nenhuma palavra, tampouco se senta muito perto, nem lhe dirige o olhar. Ela te olha, um olhar de reconhecimento, e volta a olhar para o nada. Os dois em silêncio, por uma breve eternidade, o silêncio. Você ri, aqueles pequenos risos de canto de boca que acontecem quando se lembra de algo não muito engraçado ou irônico. O silêncio parece durar outra breve eternidade. Você se lembra de Mia dizendo a Vincent que você sabe quando encontra alguém especial se consegue ficar minutos sem dizer qualquer idiotice, apenas aproveitando confortavelmente o silêncio. Foi algo bom de se lembrar, a pessoa a teu lado já não é, somente, um alguém, agora ela é alguém especial. E isso era tudo que você queria.
- Você sabe quando encontra alguém especial se consegue ficar minutos sem dizer qualquer idiotice, apenas aproveitando confortavelmente o silêncio.
Você mal percebeu quando ela começou a falar, a voz baixa, calma e triste. A voz dela parecia mais a continuidade do silêncio. Seria como ouvir um trovão se ela tivesse falado de maneira diferente. Você ri de novo, sem ruído, um riso para ela ver que riu, e diz que pensara a mesma coisa, e chama-a de Mia, apenas para mostrar que você conhece essa fala e que você se lembrou dela. Vocês trocam olhares e ela te pergunta se agora não seria a hora que você deveria beijá-la. Era exatamente isso que você pensava, mas quando ela expôs tão naturalmente o teu pensamento, executá-lo tornou-se impossível e você desvia os teus olhos dos dela e volta a olhar o nada. Você percebe que ela sorri e também volta a olhar o nada. Ela te pergunta exatamente o que pensara em perguntar "Qual é a sua história?" e volta a te olhar. Você encontra a resposta no nada, a triste realidade que sempre soube, mas que escondia contando histórias ridículas de seu passado. Você a olha e diz que tua história é a mesma que a dela.
- Não tenho uma, sou apenas eu.
- Você sabe quando encontra alguém especial se consegue ficar minutos sem dizer qualquer idiotice, apenas aproveitando confortavelmente o silêncio.
Você mal percebeu quando ela começou a falar, a voz baixa, calma e triste. A voz dela parecia mais a continuidade do silêncio. Seria como ouvir um trovão se ela tivesse falado de maneira diferente. Você ri de novo, sem ruído, um riso para ela ver que riu, e diz que pensara a mesma coisa, e chama-a de Mia, apenas para mostrar que você conhece essa fala e que você se lembrou dela. Vocês trocam olhares e ela te pergunta se agora não seria a hora que você deveria beijá-la. Era exatamente isso que você pensava, mas quando ela expôs tão naturalmente o teu pensamento, executá-lo tornou-se impossível e você desvia os teus olhos dos dela e volta a olhar o nada. Você percebe que ela sorri e também volta a olhar o nada. Ela te pergunta exatamente o que pensara em perguntar "Qual é a sua história?" e volta a te olhar. Você encontra a resposta no nada, a triste realidade que sempre soube, mas que escondia contando histórias ridículas de seu passado. Você a olha e diz que tua história é a mesma que a dela.
- Não tenho uma, sou apenas eu.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
“o diabo na rua, no meio do redemoinho....”
Quando pequeno achava mágico os redemoinho que apareciam no meio da rua, sempre imaginava que poderiam se transformar em ciclones se algo não os parasse. Mas tampouco queria que parassem, corria para entrar no meio deles e esperava que a força do vento me fizesse voar e rodopiar, nunca acontecia e o redemoinho morria. Com o tempo descobri que era eu quem os matava. Eu cresci andando pelas bandas do mundo, e assistindo e matando os redemoinhos na esperança que um fosse mais forte que eu e me fizesse voar e rodopiar. Sempre em movimento como o vento e os redemoinhos, não parava em algum dos confins do mundo eu acharia o redemoinho que me mataria. Em um lugar perdido vi o redemoinho e fui cumprir minha sina, no meio do caminho uma senhora, bem velha, disse para eu não chegar perto, que no redemoinho estava o demo e que enfeitiçava as pessoas a irem embora com o vento. Não dei ouvidos, era o assassino de redemoinhos. As crianças da vila gostaram da brincadeira, mas a velha e muitos outros nem deixaram que elas experimentassem a sensação de matar o redemoinho. Tive de ir embora da cidade, depois de entrar no redemoinho eu estava com o demo no corpo, tinha pactado com O Coisa-Ruim. A vila perdida não gostou. Depois de sair me veio a idéia que eu fora enfeitiçado, eu rodava pelo mundo atrás do vento, mas mais que isso. Eu colecionava diabos.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
6 km
Todos os dias pego o ônibus para ir ao trabalho, sempre no mesmo horário, mesmas pessoas, mesmo motorista, mesmo trocador. Todos nós cúmplices da rotina alheia, participantes anônimos da vida de cada passageiro. Normalmente faço a viagem dormindo. É mais rápido e ajuda a descansar um pouco. Nos últimos dias eu não dormi, fiquei pensando em coisas, qualquer coisa. Olho a paisagem, os carros, mas aquele olhar que não vê nada. Um pensar que não pensa nada, coisas que vêem de qualquer lugar e não vão a lugar algum. Um desses dias, por algum motivo qualquer, eu reparei em uma placa, dessas que marcam a distância, e nela tinha a distância daquele ponto até meu destino, 6 km. Nada demais, no momento eu só pensei que esses 6 km eram muito demorados. No outro dia, tudo igual e, de novo, eu reparo na placa. E isso acontece dia após dia, eu sempre olho para a placa, muitas vezes eu acordo no exato momento de vislumbrar o aviso, 6 km. Isso começou a me incomodar, sempre 6 km, meu destino a 6 km, todo dia, 6 km. Nunca mudava, ainda não mudou
quinta-feira, 10 de julho de 2008
NÃO (parte 1)
Não sou alto, nem baixo. Não estou em forma, não sou obeso, não sou gordo e nem sou magro. Não faço atividades físicas. Não pratico esportes. Não sou branco. Não sou negro. Meu cabelo não é curto, não é claro, não é liso, nem crespo. Não tenho olhos claros, nem castanhos, nem grandes, aliás não tenho orelhas, nariz ou boca grande. Definitivamente não sou o Lobo-Mau. Não sou mulher, nem homossexual. Não sou feio, tampouco chamo atenção. Não me considero novo, mas não sou velho. Não moro com meus pais. Não sou casado, não tenho noiva, nem namorada. Não divido apartamento com ninguém. Não ganho muito.. Não faço o que quero, nem o que gosto, não sei o que quero, não fiz o que gosto. Não aprendi a fazer coisas legais ou interessantes. Não tenho habilidades ou talentos...muito menos algum poder especial, portanto não sou um super-herói Não sou muito comunicativo. Não sou extrovertido. Não sou engraçado. Não sei contar piadas, não conheço muitas piadas. Não sou intelectual. Não sou melhor do que ninguém que conheço. Não sei fazer nada melhor que alguém que eu conheça. Não sou muito diferente de você. Não sou especial.
Defino-me assim, pelo não, é mais fácil. Tentar me definir pelo que sou levaria muito tempo, muitas palavras e muitos livros de auto-ajuda. E como não gastaria meu dinheiro comprando estes livros, não é possível dizer o que sou. Além do que o dinheiro seria muito melhor gasto com literatura.
Gosto de comprar livros, quando é possível vou a alguma livraria e leio o início dos livros que me chamam a atenção. Se o começo é bom eu compro, vez ou outra não chego à primeira página, decido pelo o epílogo.
Um bom epílogo: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”. Pena que não estou morto, se estivesse, plagiava o digníssimo autor.
Um bom começo: "Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa - e qual defesa seria mais legítima? - logrei ser absolvido por cinco votos contra dois e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris." E diz muito sobre o livro, é, digamos, essencial para compreender o livro, que o diga quem me apresentou-o.
O problema é que muito dos livros que li tem inícios decepcionantes. Na verdade já li muitos livros decepcionantes, mas quem não. Por mais que se evite, é um mal necessário.
Defino-me assim, pelo não, é mais fácil. Tentar me definir pelo que sou levaria muito tempo, muitas palavras e muitos livros de auto-ajuda. E como não gastaria meu dinheiro comprando estes livros, não é possível dizer o que sou. Além do que o dinheiro seria muito melhor gasto com literatura.
Gosto de comprar livros, quando é possível vou a alguma livraria e leio o início dos livros que me chamam a atenção. Se o começo é bom eu compro, vez ou outra não chego à primeira página, decido pelo o epílogo.
Um bom epílogo: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”. Pena que não estou morto, se estivesse, plagiava o digníssimo autor.
Um bom começo: "Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa - e qual defesa seria mais legítima? - logrei ser absolvido por cinco votos contra dois e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris." E diz muito sobre o livro, é, digamos, essencial para compreender o livro, que o diga quem me apresentou-o.
O problema é que muito dos livros que li tem inícios decepcionantes. Na verdade já li muitos livros decepcionantes, mas quem não. Por mais que se evite, é um mal necessário.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
My Possible Pasts
Daqui eu olho para trás e vejo tudo que poderia ter sido. Cada pequena coisa que poderia ter acontecido, cada pedaço de passado abandonado em algum ponto da estrada. Também vejo as outras pessoas, outras pessoas que roubaram os meus passados, aqueles mesmos passados abandonados na estrada. Quando eu os vejo, assim tão completos e tão realizados na posse de outro, eu sinto raiva, sinto inveja, sinto fracasso. Aquele passado era meu, foi meu e poderia ser meu. Eu vejo meus passados realizados em outras pessoas e me pergunto se ainda posso usá-lo, recuperá-lo, comprá-lo, nem que seja incompleto e imaturo, um passado recém-nascido. No mesmo momento eu descubro a resposta, sempre soube a resposta, ele deixou de ser meu naquele momento em que o descartei, que o deixei sozinho em um lugar qualquer, para qualquer um que quisesse pegá-lo. Daqui eu me pergunto se eu roubo os passados dos outros, se também pego um passado qualquer abandonado exatamente no lugar que estou. Também me pergunto por que não descartamos o futuro ele é tão parecido com o passado. Dizem que o futuro está a nossa frente e o passado em nossas costas. Se eu virar de lado o futuro e passado viram comigo ou eu passo a encarar o passado?! Pergunta idiota, nunca ninguém vai respondê-la então é inútil questionar. De volta ao passado. Eu costumo modificar meu passado, cada que vez que faço isso eu me altero no presente, me transformo em alguém diferente, um atleta olímpico, um médico, um artista, um corredor de Fórmula 1. Todos esses presentes são filhos natimortos de um passado abandonado. Eu tenho minha lista de passados preferidos, são 12, estão alinhados em uma prateleira de nuvem, com três níveis, da direita para esquerda de cima para baixo por ordem de idade. Cada passado dessa prateleira tem uma prateleira para os passados possíveis que ele criaria se não fosse abandonado. Essas prateleiras estão em um quarto com 13 paredes d’água. E eu parei por aí se não criaria um ciclo infinito, mas principalmente porque é muito difícil criar passados. Eles não se importam mais comigo desde que eu os deixei em pedaços e envelhecidos pelas estradas. Me arrependo muito quando eu vejo tudo o que eles poderiam virar, mas eles serão para sempre apenas, e cada vez mais, passados possíveis.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Poema em Linha Recta
“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,Que tenho sofrido enxovalhos e calado,Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachadoPara fora da possibilidade do soco;Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigoNunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humanaQue confessasse não um pecado, mas uma infâmia;Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?Eu, que venho sido vil, literalmente vil,Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”
Álvaro de Campos
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